Portanto recomendo que leiam o anterior
primeiramente para não se perderem no raciocínio desenvolvido, porque não
pretendemos repetir nesse, argumentos do anterior.
Eis o versículo em questão:
“Aqui
há sentido, que tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes, sobre os quais
a mulher está assentada.” Apocalipse 17: 9
Há primeira vista, podemos
concluir que a Grande Cidade do Apocalipse, “POSSUI” sete montes. Partindo
desse pressuposto, calculamos que seja Roma ou algo ligado ou originado em
Roma, pois é notória a propaganda na teologia de que Roma tem sete “colinas”.
Porém o que muitos não sabem, porque certas informações têm necessidade de
serem escavadas, que na cultura oriental, Jerusalém tem sete montes.
Os
sete montes de Jerusalém:
“Os que confiam no SENHOR serão como o monte de Sião, que não se
abala, mas permanece para sempre. Como estão OS MONTES à roda de
Jerusalém, assim o SENHOR está em volta do seu povo desde agora e para sempre.”
Salmos 125:1,2 Almeida Anotada
(1ª)
"Escopus".
(2ª)
"Nob".
(3ª)
"o Monte da Corrupção" ou "o Monte da Ofensa" ou "o
Monte da Destruição" (2 Reis 23:13).
(4ª)
O original "monte Sião".
(5ª)
A colina sudoeste também chamada "Monte Sião".
(6ª)
o "Monte Ofel".
(7ª)
"A Rocha", onde foi construída a fortaleza "Antonia".
Mas o que vou argumentar é a
questão do termo assentada, e outras aparições do mesmo termo no mesmo
capítulo. O termo “assentar sobre” significa sentar-se, aplicar-se, fundar-se,
basear-se, resolver-se, fixar-se ou acomodar-se. Nós podemos perceber que a
base, o apoio, a força ou a sustentação desta cidade está sobre sete montes,
mas a pergunta que faço é: Quem são e onde estão esses sete montes?
“Aqui
há sentido, que tem sabedoria. As sete cabeças SÃO SETE MONTES, sobre os
quais a mulher está assentada. E SÃO TAMBÉM sete reis: cinco já caíram,
e um existe; outro ainda não é vindo; e quando vier, convém que dure pouco
tempo.” Apocalipse 17: 9,10
É possível observar que os
sete montes têm ligação com sete reis, e que dentre esses reis cinco já tinham
morrido, e um estava governando no momento em que João recebia o Apocalipse, o
sexto rei. Esse sexto rei que estava governando, o um existe, é por lógica o
Imperador que prendeu João em Patmos, este Imperador também era besta que subiu
do mar do capítulo treze, pelo fato de João mandar crentes vivos do 1º século a
calcularem o número, observem que na explicação da visão os verbos estão no
presente.
“Aqui há sabedoria. Aquele que TEM (presente do indicativo) entendimento
CALCULE (presente do subjuntivo) o número da besta, porque É
(presente do indicativo) número de homem; e seu número É (presente do
indicativo) seiscentos e sessenta e seis.” Apocalipse 17: 18
Futuristas costumam ignorar os
tempos verbais e o princípio de relevância ao público original ou à audiência
em suas interpretações. Eles leem o verso futurizando dessa forma para nossos
dias.
“Aqui há sabedoria. Aquele que TIVER entendimento CALCULARÁ
o número da besta, porque SERÁ número de homem; e seu número SERÁ
seiscentos e sessenta e seis.” Apocalipse 17: 18
Os irmãos precisam entender
que na exposição da visão, os tempos verbais não devem ser entendidos no
momento da revelação, porque há um deslocamento de tempo, no passado ou no
futuro, porém na explicação os tempos verbais entram no momento do receptor da
mensagem. Este 666 estava presente no Apocalipse, era o sexto Imperador de
Roma, Nero Cesar, que tinha iniciado a tribulação contra os cristãos em 64 d.C.
e morreu em 68 d.C., quando já tinha estourado a revolta judaica. Veja que João
afirma que vivia a tribulação, tanto que ele estava preso.
“Eu, João, que também sou vosso irmão e companheiro NA
TRIBULAÇÃO, e no reino, e na paciência de Jesus Cristo, estava na ilha
chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus
Cristo.” Apocalipse 1: 9
Mas algum futurista usando de
falácia como já lemos poderá perguntar:
Se a tribulação estava ocorrendo lá na Judeia porque João não escreveu aos crentes de lá, mas aos da província da
Ásia?
Resposta: Simplesmente porque lá estava acontecendo a tribulação, os crentes de lá
escaparam de lá, porque ouviram as recomendações de Jesus no sermão profético
de Mateus 24, Lucas 21 e Marcos 13, e fugiram para cidade de Pela.
Há pouco
tempo ao renunciar o Papa Bento XVI, houve blogueiro que mandou as pessoas
fugirem para os montes, obedecendo a uma orientação de Jesus, como se fosse
para eles, entrou o Papa Francisco e o fim do mundo não veio e a besta não
surgiu, aí mais e mais desculpas, pela total falta de entendimento.
“Os que estiverem na Judeia que fujam para os montes”. “Em
verdade vos digo que não passará ESTA GERAÇÃO sem que TODAS essas coisas
aconteçam.” Mateus 24:16,34
A tribulação também não se
concentrou somente lá, mas naquele tempo a Pax Romana foi quebrada e o Império
estava em Guerra Civil, naquele mesmo momento Roma teve quatro imperadores em
um ano. Isso explica para os refutadores o verso abaixo.
“Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te
guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo O MUNDO, para
tentar os que habitam sobre a terra.” Apocalipse 3: 10
Para os que entendem um pouco
de grego, a palavra mundo ali é OIKOUMENE, já explicado no artigo anterior, que
não significava para João, Planeta Terra, e sim Império Romano ou mundo
habitado. Então a tentação cobriria como cobriu o Império.
Voltando aos montes, vamos
observar atentamente outros versos que trazem o verbo assentar, não levando em
conta que Jerusalém também tem sete montes, porém pouco divulgados. Poderíamos
utilizar desse expediente, mas entendemos que os montes não pertencem a cidade,
porque eles se relacionam com os imperadores.
“E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças e falou comigo,
dizendo-me: Vem mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está ASSENTADA
SOBRE muitas águas.” Apocalipse 17: 1
“E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher ASSENTADA
SOBRE uma besta de cor escarlate (vermelho) que estava cheia de nomes de
blasfêmia e tinha sete cabeças e dez chifres.” Apocalipse 17: 1
Então se vê que assim como ela
estava assentada sobre sete montes ou sete reis, também estava assentada sobre
muitas águas e sobre o animal que era o oitavo rei (versos 8 e 11). Na verdade
era o animal que trazia a mulher (versículo 7), não era a mulher que conduzia a besta e sim o contrário, a força da mulher estava no
bicho, sem ele, a mulher não metia medo.
"E o anjo me disse: Por que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a traz, a qual tem sete cabeças e dez chifres. Apocalipse 17:7"
Isso é explicado como os judeus
estavam espalhados em todo o mundo da época, eram chamados pelos puristas, os
da Judeia de judeus da dispersão, onde chegavam os apóstolos eles manipulavam
a população contra a igreja, porque eles prosperavam em terras estrangeiras e
tinham influência com as autoridades. Por isso que com o apoio da besta, as
autoridades religiosas de Jerusalém conseguiam matar, prender e torturar os
primeiros cristãos, os 144 mil. Porém depois, movida por Deus, a besta se volta
contra a mulher.
“E os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam
reino, mas receberão o poder como reis por uma hora, juntamente com a besta.”
Apocalipse 17: 12
“E os dez chifres que viste na besta são os que aborrecerão a
prostituta, e a porão desolada e nua, e comerão a sua carne no fogo. Porque
Deus tem posto em seu coração que cumpram o seu intento, e tenham uma mesma ideia e que dêem à besta o seu reino, até que se cumpram as palavras de Deus.”
Apocalipse 17: 16,17
É totalmente redundante a
besta ser Roma e a mulher também, e também pelo fato de uma figura destruir a
outra pela vontade de Deus.
Se diante dessas evidências, você ainda acha que a mulher tem sete montes, raciocine só um minuto e pense. Para que a mulher possuísse sete montes, quem teria sete cabeças seria a mulher e não vemos na revelação uma mulher de sete cabeças, ou seja, os montes são da besta porque João NÃO teve uma visão de uma mulher de sete cabeças. Um ser de sete cabeças já surpreende, imagine uma figura humana.
As águas representam (verso
15) nações, povos, multidões e línguas, que na ótica judaica do livro e do fato
que a bíblia foi escrita por israelitas, então eles escrevem da visão deles
para o mundo. Sabemos que para eles nações, povos, multidões e línguas
significam GENTIOS, estrangeiros, incircuncisos na carne, sem pacto com Deus,
largados a sua própria sorte, e os judeus como já foi dito estavam em todo o
mundo e detinham o Reino de Deus.
“Portanto,
eu vos digo que O REINO DE DEUS vos será tirado e será dado a uma nação que de
os seus frutos.” Mt 21: 43
Jesus, na medida em que se
aproxima do sermão profético de Mateus 24, constrói nos capítulos anteriores o
tema julgamento. Vejam o versículo abaixo que remete para o casamento do
cordeiro, lembrando que casamento é Pacto. Como Cristo ainda vai casar com a
Igreja num futuro? Então ainda nós (gentios) não temos relacionamento com Ele,
e Deus ainda está com a velha esposa, que crucificou o seu Senhor (Marido) Ap
11:2,8; 18:7, e o Novo Pacto (Novo Casamento) ainda não foi consumado.
“O rei ficou irado e, enviando as suas tropas, exterminou aqueles
assassinos e lhes INCENDIOU a CIDADE.” Mateus 22:7
“Os dez chifres que viste e a besta, esses odiarão a meretriz, e a
farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão NO FOGO.”
Apocalipse 17:16
“Ora, chorarão e se lamentarão sobre ela os reis da terra, que com
ela se prostituíram e viveram em luxúria, quando virem a fumaceira do seu INCÊNDIO.”
Apocalipse 18:9
“Então, vendo a fumaceira do seu INCÊNDIO, gritavam: Que
cidade se compara à Grande Cidade?” Apocalipse 18:18
“Segunda vez disseram: Aleluia! E a sua FUMAÇA sobe pelos
séculos dos séculos.” Apocalipse 19:3
“A FUMAÇA do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e
não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da
sua imagem e quem quer que receber a marca do seu nome.” Apocalipse 14:11
Dois soldados de Tito lançaram
para dentro do Templo de Jerusalém uma tocha e o fogo se alastrou rapidamente
criando um enorme incêndio, que para os que viam de longe parecia que toda a
cidade estava pegando fogo. O ouro escondido nas paredes do Templo começou a
derreter, enlouquecendo os soldados romanos, que passaram a raspar as pedras em
busca do ouro. Havia uns boatos de em Jerusalém havia muito ouro, então eles
desmancharam todo o Mega Templo, procurando ouro, cumprindo outra profecia de
Jesus:
“E quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus
discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo. Jesus, porém lhes disse:
Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra
que não seja derribada.” Mateus 24:1,2
Para quem não sabe, foi Roma
que deu o mega templo da época de Jesus para os judeus, em troca de lealdade à
Roma e paz na Judeia Esse era o trato de Roma com os príncipes judeus. Roma
fornecia segurança, permitia o culto local, mas cobrava impostos. Essa união
foi predita por Daniel:
“As pernas, de ferro; os seus pés, em parte de ferro e em parte de
BARRO.” Daniel 2:33
O ouro representava Babilônia
imperial, a prata a Média e a Pérsia, o cobre a Grécia, o ferro representava
Roma. Quem costumava ser comparado profeticamente por Deus a barro? A Bíblia
diz:
“Como o vaso que ele fazia de BARRO se quebrou na mão do
oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos seus
olhos fazer. Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de
Israel? – diz o SENHOR; eis que, como o BARRO na mão do oleiro, assim
sois vós na minha mão, ó casa de Israel.” Jeremias 18:4,6
Pedro ao escrever sua primeira
carta, ele dá um nome qualitativo à cidade donde ele escreve. Tradicionalmente,
teólogos e comentaristas costumam apostar que Pedro escrevia de Roma, já que
para a maioria, Roma é a Babilônia do Apocalipse. Não há nenhuma evidência
bíblica de que Pedro esteve em Roma, mas de que ele se concentrava em Israel,
tanto que Paulo ao escrever aos Romanos saúda muita gente, mas se esquece do
Apóstolo Pedro. Por evidência interna, podemos afirmar que Pedro escrevia de
Jerusalém já a chamando de Babilônia.
“Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, AOS DISPERSOS no Ponto,
Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia.” 1 Pedro 1:1
"A vossa (Igreja) co-eleita em BABILÔNIA vos saúda, e meu filho Marcos." 1 Pedro 5:13
Pedro escreve aos Judeus da dispersão e chama a cidade onde se situava de Babilônia. Só podia ser de Jerusalém.
Dispersos, ou judeus da
dispersão, era como os judeus da Judeia chamavam os que viviam ou trabalhavam
no exterior, ou que nasceram fora, mas que eram consanguíneos com os de sua
terra. Esses judeus helenizados eram mais prósperos que os de sua terra.
Vejamos outro Apóstolo do Evangelho da Circuncisão (Gálatas 2:7-9) escrevendo
aos judeus da dispersão.
“Tiago, servo de Deus e do
Senhor Jesus Cristo, ÀS DOZE TRIBOS QUE ANDAM DISPERSAS: Saúde.” Tiago
1:1
Portanto assim como a grande
cidade (Jerusalém) estava assentada sobre a besta (tinha o apoio do Império
romano), ela estava assentada sobre muitas águas (tinha o apoio e estavam
espalhados pelo mundo) e assentada sobre sete montes (tinha o apoio dos
Césares), fazendo a parceria contra a Igreja de Deus e do Cordeiro.
“Jesus
respondeu: Se eu quiser que ele (João) PERMANEÇA VIVO ATÉ EU VOLTAR, que
tem você com isso? Siga-me você. Portanto, espalhou-se o rumor de que aquele
discípulo não morreria! Mas não foi isso absolutamente o que Jesus disse! Ele
quis dizer: Se eu quiser que ele permaneça vivo até que eu volte, que tem você
com isso?” João 21:22,23 Nova Bíblia Viva
“Eu
afirmo a vocês e isso é verdade: Essas coisas vão acontecer antes de morrerem
todos os que agora estão vivos.” Mateus 24:34 NTLH
*Salvo indicação, a versão
bíblica utilizada nesse site é a Almeida Revista e Corrigida ou a Atualizada,
devido a seu uso popularizado no Brasil, mesmo não sendo a mais recomendada,
devido a suas contaminações por idéias dos tradutores, pela tradição, por
aceitação do público alvo pré-doutrinado ou por interesses mercantis e
políticos de denominações.
Autor: Irmão Deivid Gama (Assembeia de Deus da Reconciliação - Guapimirim/RJ)
Editor do Blog